Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Dezembro, 2009

Pintarolice

Naquele lindo final de tarde, Indira surpreendeu Ravi. Trazia uma enternecedora pintinha na testa. Bom, não era uma pintinha qualquer: tinha muita pinta. Ainda hoje são casados e felizes, construíram até uma bela moradia na Rajastão.

Alta infidelidade

Assim se reuniam as condições, Valdemar escapulia-se para a outra. Era de um matemático rigor. Mas Denise revelou sempre uma paciência rara, sobretudo porque a outra era sempre outra. E outra (e assim sucessivamente).

Fuzis (lamento)

Sandy esperou 23 meses naquele nojento (inenarrável) corredor até ser executado. Mas nem tudo correu mal nessa roxa aurora: os disparos foram superiormente executados.

Index

Há algo na zebra que a torna impopular aqui na selva. Indesejada até. E gabar-se da sua lista negra não ajuda (é que não ajuda mesmo nada).

Bidê é quase chaminé

Magda e Edivaldo não tinham chaminé, não. Por isso não se surpreenderam ao ver Papai Noel aterrando no bidê. Está velhote, correcto, mas ainda vai lá por aproximação (terminação).

Internacionalismo coxo

Foi interessante (e interessante é uma palavra interessante). No dia em que saí à rua com suíças tive de regressar a casa com estas canadianas. Ou melhor: com as canadianas amparando-me a mim e às suíças. Felizmente que não são mutuamente exclusivas.

Infantaria

O brigadeiro Lemos era brigão na guerra mas dulcíssimo no quartel. Lembro-me até que no nosso pelotão lhe chamávamos "brigadeirozinho". Todos nos comovíamos quando se montava naqueles saltos altos.

Bobagem natalícia

"É Natal, cara!", respondeu-me Jefferson, o cafuzo que no Recife se sentara a meu lado. Droga! Por que fui logo adormecer nesse dia? "Enxergue... Esse ônibus agora só está parando mesmo em Belém..." Menos mal.

Sauçaméricaneuei

Era um capricho natalício do papá, embora tivesse a sua lógica. Cá em casa sempre acompanhámos o peru com vinho do Chile. Assim não havia rivalidades. Já basta de guerras, não é?

Certas órbitas

Desde criança que se babava com pastéis de nata. Só de os ver, aqueles olhinhos lindos saíam-lhe das órbitas. Ninguém ficou surpreendido, pois, quando Iuri abraçou esta dura carreira de cosmonata. Anda lá por cima.

Troca

Catarina já não suportava mais aquele transístor fanhoso. Bastava-lhe. Mas vingou-se em grande: comprou (adquiriu) um televisor gigante com ecrã de plasma.

Cretino

Cedo conquistou Iannis a alcunha de "O Pirómano". Não que fosse propriamente incendiário (antes isso). A questão era de foro bem diverso: sempre que precisávamos dele, punha-se a milhas. Tinha a mania de pirar-se.

Leonardo

O elefante passou por aqui, agora mesmo, só para me dizer que o domador continua com febres. Mais uma semanita na jaula... Bom, acho que vou aparar a juba (a patilha está grande).

Cartaya

Nunca em momento algum Jiménez se cansou de apregoar: "Somos o que comemos." Volta e meia, e por vezes com notória falta de oportunidade, o indivíduo lá repescava a orgulhosa frazesita: "Somos o que comemos." Claro que foi estupidez nossa não o termos associado logo ao mistério de Cartaya.

25 do 12

Na tal terra de que vos havia falado também se celebrava Natal. E Natália rejubilava. Ou melhor: jubilava, pois quando o gesto é sincero dispensa repetição.

Sin condicionamientos

A José-Luis le encantaban las ciudades medievales. Aquellas en las que pudiera hablar tranquilamente con las piedras milenarias, sentir que viajaba despacito en el tiempo. Sigüenza era la sorprendente excepción: no soportaba nada su toponímico condicionamiento.

Beiços

Durante horas, Reinaldo beijou-a loucamente nos lábios. Estava cego com aquela imagem. Sabor. Teve Cláudia que o chamar à razão. Sexo pode ser delicioso, mas não é tudo: queria agora um beijinho na boca.

Neve bonitinha

E assim hibernamos em Tallinn. É bom. É Natal.

Misoginia

O genial Kjell Larsen celebrizou-se pela maneira cruel como tratava as mulheres nos seus livros. Mas também pela forma como as maltratava com os seus próprios livros.

Felinos

O mais ferozes tigres-de-papel só se conseguem com o melhor papel tigre. E escusado será dizer-vos que são de todos os mais bonitos.

Edivaldo

Já era demais: houve um dia (manhã) em que Edivaldo se fartou de estar sempre certo. Decidiu que o melhor era começar a asneirar. Caramba, e não é que até nisso acertou?

Corpo e alma

Marta era a pessoa certa no corpo errado. Desfizeram-se dele (corpo) na mata de Vimiães. Hélio vive agora muito mais aliviado. Tê-la só em espírito sabe muito melhor.

Do 8 ao infinito

Apesar das botas de neve novas, Lemmer escorregou no crepúsculo gelado de Karlsruhe. Teve a sua dose de sorte: só não ficou (des)feito num oito porque este tombou com ele. Viajam agora os dois rumo ao infinito.

Varanasi-Jaipur

Senti a carruagem a abrandar. Nadira adormecia nos meus braços, mas ainda me perguntou: "'Tás mal?". Nem contestei. Discretamente, e sem movimentos bruscos, virei-me para o outro lado: vi Agra.

Centenário

Há tantos centenários quanto formas de o celebrar. Esta é a minha: uma singela homenagem à Solange (@solange_star no Twitter). Ainda esta semana seguirá um livrito (Lindy? Terra Java? CV1?) até ao Brasil. Ainda deve chegar pelo calor do Natal. No Rio em Dezembro.

Paixão, paixões

Depois daquela noite romântica, é claro que Karl-Heinz só a podia pedir em casamento. E até poderiam ter sido (muito) felizes não lhe tivesse Birgitt pedido breves segundos para pensar (reflectir). Uma paixão não se negoceia às metades.

Bucolismo em Kopli

A ideia era explorarmos o Bronx de Tallinn (a zona norte da cidade, Kopli). Mas o plano saiu furado. Parece que as quintas são dias de folga para os criminosos do bairro. De violência, nada. Enfim, quedámo-nos por um simpático (embora sorumbático) café soviético no final da linha do eléctrico número 2.

Blogue feito livro

O primeiro tijolo de uma titânica decalogia. Ao clicar aqui, pode adquirir imediatamente um (ou muitos) exemplar(es).